Sua empresa tem três ativos invisíveis. Eles começam ou morrem na recepção.

recepção

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Cultura, marca, experiência. Aparecem em qualquer apresentação de board.
Quase nenhuma sobrevive ao próprio escritório.

Existem três palavras que aparecem em quase toda apresentação de board: cultura, marca, experiência. São tratadas como ativos estratégicos. São medidas, defendidas, monitoradas. Tem diretor responsável por cada uma. Tem orçamento anual dedicado. Tem agência contratada para construí-las e protegê-las

E aí a empresa volta para o escritório, e essas três palavras desaparecem.

O escritório é o único ambiente da empresa em que as três acontecem ao mesmo tempo, todos os dias, sem ser pensado por ninguém. O cliente atravessa a recepção e forma uma percepção da marca, só que ninguém da agência olhou para essa recepção. O time chega na segunda-feira e recebe o primeiro estímulo do dia sobre “que tipo de empresa é essa”, e nenhum responsável pela cultura aprovou esse estímulo. O candidato visita antes da segunda entrevista e decide se aceita a oferta  e o RH não tem ideia do que ele viu nos cinco minutos de espera, sentado em uma cadeira que ninguém escolheu de propósito.

Toda empresa investe em ativos intangíveis. O escritório é o único que ela esquece de tratar como tal.

Vale dizer que esse desencontro não é desleixo. É uma herança organizacional. O escritório, na maior parte das empresas de médio porte para cima, é responsabilidade do facilities  área operacional, focada em manter o que existe funcionando dentro do orçamento e do prazo. Cultura, marca e experiência são responsabilidades estratégicas, em outras áreas, em outras reuniões, com outros orçamentos. As duas conversas raramente se cruzam. E quando cruzam, costuma ser para discutir custo, não impacto. “Quanto vai sair?”  e não “o que vai entregar?”.

Existe um campo no marketing chamado branding espacial que estuda exatamente essa interseção. Ele divide a comunicação do espaço em três camadas. A primeira é a explícita: o logotipo na parede, o painel com os valores da empresa, a placa de identificação visual. A segunda é a implícita: a iluminação, o cheiro, o som, a temperatura, a qualidade do mobiliário, a forma como as pessoas circulam. A terceira é a comportamental: o que o espaço autoriza ou inibe  colaboração ou isolamento, foco ou interrupção, formalidade ou informalidade. A maior parte das empresas só investe na primeira camada. A segunda e a terceira, que respondem pela maior parte da percepção, ficam por conta do acaso.

Quem trabalha com arquitetura comercial  varejo, hospitalidade, experiência de consumo  entende isso há décadas. Uma loja que vende experiência não pode ter uma vitrine que comunica desleixo, uma iluminação que erra a temperatura do produto, um som de fundo que conflita com o público-alvo. Cada decisão é deliberada porque cada decisão converte ou afasta. O cliente paga ou vai embora. Não tem zona cinza.

O escritório corporativo tem o mesmo problema. Só que ele se disfarça. O cliente que visita uma vez por mês não vai embora, vai embora a sensação de confiança que ele tinha sobre a empresa. O candidato não recusa a oferta na hora  recusa três dias depois, citando “melhor proposta”. O colaborador não pede demissão por causa do espaço  pede por “não se sentir parte”. As consequências do branding espacial mal-feito são reais. Elas só não aparecem com a etiqueta certa.

Inteligência espacial é, em larga medida, a costura dessas conversas que hoje acontecem separadas. O dia em que o investimento no projeto de escritório entra na mesma reunião que a estratégia de marca, e a recepção for tratada com o mesmo rigor com que se trata a landing page principal do site  esse é o dia em que o escritório começa a render como ativo, em vez de consumir como despesa. Não é exagero dizer que, em muitas empresas, o ROI dessa costura paga o projeto inteiro em menos de dois anos, considerando só ganhos de retenção e velocidade de fechamento comercial. O número raramente é medido porque a conversa raramente acontece.

O caminho não é dramático. É só começar a fazer perguntas diferentes na hora de aprovar a próxima obra. Não “quanto vai custar”  mas “o que essa obra vai entregar para cultura, marca e experiência que a empresa hoje não tem”. Se ninguém na sala souber responder, a conversa começou cedo o suficiente. Se todos responderem com clareza, a obra já está protegida antes de começar.

PRÓXIMO PASSO

Olhe para o seu escritório como olha para a sua marca. Se as duas não estiverem conversando, alguém está investindo no lugar errado.

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